Conectivismo e aprendizagem: do aprimoramento ao rompimento

By marcostelles

Georges Siemens, o evangelista do conectivismo, destaca a mudança da relação da pessoa com o conhecimento. Em grande número de casos, não é mais possível ter, antecipadamente, todo o conhecimento de que se necessita para resolver um problema pontual; é preciso saber onde o conhecimento adicional está e ir buscá-lo. Nesse quadro, o que importa para a pessoa é sua rede de conexões com os nós de conhecimento.

Impossível deixar de usar como exemplo a medicina moderna. Quando havia menos doenças conhecidas e menos medicamentos disponíveis, o clínico geral ia direto ao ponto: você tem isso e o tratamento é esse; o clínico moderno identifica a área de problema, prescreve um tratamento inicial, recorre a uma rede de conexões (laboratórios clínicos, centros de imagem médica etc.) e, através do conhecimento de outros, obtém as informações de que necessita para “pontualizar”o mal.

Siemens provoca ao afirmar que a habilidade de aprender o que vamos precisar amanhã é mais importante do que aquilo que sabemos hoje ou quando diz que o cano é mais importante do que aquilo que corre dentro dele. Mas, ao dizer que aprender é o processo de conectar nós e fontes de informação, ele nos obriga a analisar profundamente nossas crenças básicas sobre educação; será que existe uma ampla percepção de que novas meta-competências têm que ser desenvolvidas em todos os níveis da aprendizagem? Algumas delas são:

 - a competência de analisar e avaliar a credibilidade das informações obtidas na rede, seja esta baseada em computadores, comunidades de prática ou em cadernos de endereços – a competência de criar ambientes que facilitem a aprendizagem informal que é mais corrente que a aprendizagem formal – a competência de formar redes pessoais para fazer com que a experiência individual total seja a soma de experiência individual propriamente dita com a experiência daqueles com os quais o indivíduo está conectado – a competência de aproveitar com o fato de que a aprendizagem é um processo contínuo que se estende por toda a vida – a competência de estabelecer conexões entre idéias, conceitos e campos do conhecimento de forma tal que a informação obtida num nó da rede possa ser aplicada em outro contexto (transferência de conhecimento) – a competência de escolher o que aprender.

A busca do desenvolvimento de competências como as que vêm de ser mencionadas reconhece o fato de que o processo de aprendizagem é nebuloso, confuso, informal e caótico e impõe uma revisão da forma pela qual eventos e programas de aprendizagem são desenhados. Para tanto, não basta ter tecnologia disponível; é preciso ousar no seu uso. Afinal, como comentado no blog de Siemens (http://www.connectivism.ca), o computador está aí há décadas mas isso não faz com que nosso filhos recebam nas escolas um ensino fundamentalmente diferente daquele que nós lá recebemos…

A discussão do conectivismo reforça o conteúdo das duas postagens anteriores: o momento presente não é mais de aprimoramento (usar a tecnologia para fazer melhor o que já se vinha fazendo) mas, sim, de rompimento (criar novos paradigmas viabilizados por novas tecnologias). Quem se habilita?

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