Procure objetos de aprendizagem sendo efetivamente usados; você encontrará uns poucos casos em grandes instituições que incluiram os objetos entre seus material didático, para uso de seus professores e em percursos de aprendizagem definidos pela instituição [o que pode fazer sentido para a instituição mas nada tem a ver com o conceito original de learning objects]. Nem tente achar professores de uma institução utilizando objetos de aprendizagem produzidos por outra. De fato, não há qualquer evidência de que os learning objects tenham correspondido às expectativas criadas em torno deles; essa constatação internacional não é nova, em que pesem as tentativas de ampliar de tal forma a definição que tudo passe a ser um objeto de aprendizagem…
Na Educause Review, vol. 40, número 4 (Julho/Agosto 2005), Susan E. Metros lembrava que essa frustração de esperanças deveu-se, entre outros, à pouca tradição de compartilhamento e reutilização de materiais, ao alto custo de desenvolvimento de objetos de aprendizagem de qualidade, ao tempo requerido para esse desenvolvimento, à falta de padrões amplamente aceitos e à ausência de provas de que os learning objects melhorassem, efetivamente, a aprendizagem.
Mas essa não é uma opinião isolada: o relatório do projeto OLCOS – Open e-Learning Content Observatory Services, desenvolvido com fundos da Comunidade Européia e publicado em janeiro de 2006, aprofunda idéias na mesma linha.
Depois de lembrar a metáfora “lego” usada por Wayne Hodgins, tão conhecido dos freqüentadores do e-Learning Brasil, o estudo localiza um pecado original do conceito: tudo foi feito sem que os usuários finais fossem ouvidos sobre suas necessidades e preocupações.
Mais grave porém é o paradoxo apontado por Baumgartner no relatório: “para que o conteúdo de um objeto de aprendizagem possa ser re-utilizado em larga escala, ele precisa ser independente de contexto mas a contextualização é a essência do processo de aprendizagem e da arte de ensinar usando diferentes modelos pedagógicos e diferentes linhas didáticas que atendam os, também, diferentes requisitos dos aprendedores”.
Falando do Scorm, o relatório afirma que “os benefícios da padronização foram obtidos com o sacrifício da flexibilidade pedagógica” já que “não são aplicáveis a processos de aprendizagem mais complexos”.
Importante, aí, é notar que a presente tendência de se trabalhar com conteúdos mais curtos nada tem a ver com o conceito de objetos de aprendizagem. Isso, aliás, fica claro quando se observa o cuidado que os criadores de cursos ou informações curtos e específicos têm de cunhar novos nomes para seus produtos como “objetos de conhecimento” ou “pílulas de conhecimento”.
Pode-se falar em frustração, decepção ou ocaso mas a realidade é clara: a prova de conceito não comprovou a pretendida universalidade da idéia.
fim
Julho 15, 2007 às 10:17 am
Marcos, afirmações genéricas como essas são sempre um demérito para toda a categoria. O mesmo tipo de afirmação costuma ser feita de maneira genérica para a tecnologia na educação como um todo. Você viu aparecer há aproximadamente um mês um relatório dizendo que a tecnologia não tem impacto na aprendizagem. Sempre vamos ter esse tipo de “anúncios”. É muito difícil fazer estudos sobre o real impacto da tecnologia na aprendizagem. Por isso existem tão poucos. Logicamente isso vale para os objetos de aprendizagem. Se você pegar os textos que tenho escrito sobre o assunto falam a mesma coisa que você disse, mas ressaltando que não existe panacéia. O conceito de objeto de aprendizagem em si é útil, mas para produzir bons conteúdos é preciso entender do assunto, entender de educação, entender da mídia, ter uma equipe capaz … E para usar bem é preciso ser bom professor, ter planejamento, ter condições mínimas. Para poder reutilizar também é preciso ser bom professor. Normalmente se vende a idéia de que os objetos substituem a tarefa do professor, até mesmo em montar seu material. Muitas pessoas também têm essa expectativa quanto à tecnologia na educação. Não existe panacéia em educação!
E para mostrar que algo é útil em termos de aprendizagem quando há tantos céticos, é preciso estudos sérios. O bom uso dos objetos de aprendizagem acontece mesclado a muitos outros recursos e estratégias pedagógicas. É irresponsabilidade querer demonstrar o impacto somente usando objetos de aprendizagem e esquecendo todas as outras variáveis que influem (outros recursos, estratégias diversificadas, concepções pedagógicas, infra-estrutura, cultura escolar …) Eu oriento e já escrevi alguns trabalhos onde demonstramos que o conceito de objeto de aprendizagem é sim útil, tem sim suas limitações, e onde quem mais aprende é quem cria e produz. Já apresentei isso no congresso e-Learning de 2005 quando dividi uma sessão com o Wayne Hodgins que você cita de forma bombástica hoje. Por que ao invés de simplesmente denegrir o conceito não aproveitamos o que há de útil nele, convidamos todos a incluir a produção de objetos de aprendizagem originais (ou de qualquer outro conteúdo) como parte de suas atividades de aprendizagem. Assim estaríamos nos alinhando com o que o mundo fala hoje em dia (acompanhe por exemplo a discussão sobre a produção de recursos educacionais livres que a Unesco vem conduzindo) e com o que eu venho defendendo há anos.
Julho 15, 2007 às 3:02 pm
Penso da mesma forma, quem acredita que uma ferramenta irá revolucionar o conceito de ensino-aprendizagem está sempre se decepcionando. Tecnologia não tem nada a ver com magia, embora algumas pessoas pareçam pensar desta forma. Há mais de cinco anos atrás, assisti uma palestra de um professor do MIT, comprovando com seus estudos, que a tecnologia não faz diferença alguma para os bons alunos. Em compensação, provoca mudanças drásticas na aprendizagem dos alunos com dificuldade de aprendizagem (que são muitos). O uso dos objetos de aprendizagem ainda está restrito a um universo pequeno demais para proporcionar uma avaliação tão definitiva. A difusão de recursos livres possibilitará o acesso para mais pessoas que aprenderão a ferramente e pensarão em novas formas de utilização. Somente quando ultrapassarmos as limitações que encontramos hoje (capacitação, conhecimento, infra-estrutura,etc) poderemos saber, através da universalização do uso, o que funciona e o que é descartável em tecnologia educacional.
Julho 17, 2007 às 1:35 pm
Prezado Marcos, não há objeto de aprendizagem mais simples que o ponto.Serve para aprender todas as línguas ocidentais,os primeiros passos em matemática e nos persegue a vida afora.
É a melhor representação que convencionamos para uma singularidade.É forma e/ou conteúdo conforme a necessidade.
Não determina a qualidade de nenhum aprendizado. Estabelece a padronização de suas utilizações, conforme a necessidade de adaptação do uso. E para a necessidade, não há regras pré estabelecidas.
Há um vício de origem em todo ensino construído a partir de código: o uso de condicionais. O número de variáveis que um professor enfrenta em sala de aula é maior do que os nossos sistemas de hardware e internet atuais conseguem dar conta. Objetos de aprendizagem são um exemplo.Há inúmeros outros.
Mas eventualmente alguns objetos de aprendizagem venham existir no futuro da mesma forma que régua e compasso.
Julho 17, 2007 às 4:12 pm
Marcos,
eu acho a posição radical, embora saudável para o debate. Um material didático ou não didático pode ser intensamente útil ou inútil dependendo da forma como é utilizado. Isto se aplica a tudo. O desafio continua sendo transformar os agentes educacionais, provocando-os a refletir sobre sua prática todos os dias. eu disse todos os dias!!! e como é dificil conseguirmos abrir esta janela com tais agentes. O desafio é fazer escolas pensarem como empresas, que precisam se transformar no minimo no mesmo ritmo de transformação dos mercados.
Julho 21, 2007 às 2:18 am
[...] Learning Objects: o fim de um sonho! « MarcosTelles Marcos Telles fala sobre a pouca eficiência dos Objetos de Aprendizagem. Os objetivos e as expectativas levantadas em torno do termo não se concretizam. Dica via http://del.icio.us/elton_vinicius (tags: learning_objects elearning) [...]
Julho 24, 2007 às 2:34 pm
Lamentablemente un título e un contenido muy marketinero!
Escribo en castellano porque la indignación en portunhol que me merece tu postura liviana sobre un asunto tan profundo, tendría tendría demasiados errores.
Me hizo recordar a tantos momentos en la historia científica en la que imrpotantes teorías eran llevadas a la hoguera simplemente porque no eran convenientes, porque no eran comprendidas o porque fueron expresadas fuera de época.
La verdad que éste no es el espacio en el que debiéramos discutir los pros y contras de cualquier herramienta educacional con el apoyo referencial adecuado . Por suerte existen foros adecuados para realizarlo y personas con el gabarito merecido, investigadoes en el area de la educación , que permiten que ocurra una discusión válida, entre todos aquellos que intentan desarrollar y aplicar nuevas herramientas para mejorar el proceso de enseñanza -aprendizaje.
Solo como corolario a todo ésto, quisiera dejar expresado que en la tarea de buscar cómos y porqués, no se encuentra en términos educativos, respuestas únicas, ni aceptaciones definitivas ni negaciones absolutas. En esto de educar, se crece constantemente, con la escuela, con sus profesores, con sus alumnos, con los recursos disponibles. Se va usando de todo en la medida que se conoce y que se le encuentra uitlidad. Son más áun los profesores que hoy usan y comentan nuestras simulaciones que aquellos que fueron específicamente capacitados para crearlas y como siempre ocurre, nadie es profeta en su tierra y todas las herramientas que estamos desarrollando se adoptan como recursos educativos en otros países antes que aquí.
Sin dejar de pensar que cada día devemos continuar construyendo para mejorar sobre lo que ya tenemos y no colocando nada sobre la hoguera,dejo la discusión sobre la efectividad del uso de objetos de aprendizaje en términos de evaluaciones didático-pedagógicas para otro ambiente.
Julho 15, 2008 às 6:14 pm
O assunto é tão recente que ainda não se chegou nem a um consenso, como é você vem afirmar que os OAs “não deram certo”? Essa afirmação tá mais parecendo coisa de quem quer aparec.